SOPK, distúrbios digestivos e reflexologia
- Sandrine Gameiro

- 4 de mar.
- 3 min de leitura
A jornada da Elena
Alguns encontros em consulta revelam de forma muito clara a força de um acompanhamento em reflexologia. Foi o caso desta jovem que me procurou devido a distúrbios digestivos persistentes: náuseas, inchaço abdominal, refluxo ácido e, por vezes, vómitos. Sintomas incómodos que surgiram pouco tempo após o início de um tratamento médico para SOPK (síndrome dos ovários policísticos).

Um diagnóstico recente,
um tratamento com efeitos secundários importantes
Essa cliente sofria de SOPK há anos sem saber. O diagnóstico só foi feito seis meses antes da nossa primeira sessão. Para aliviar os sintomas hormonais e metabólicos, iniciou um tratamento com Metformina e Victoza, dois medicamentos utilizados inicialmente no tratamento da diabetes tipo 2.
Esta escolha terapêutica tem explicação: cerca de 50 a 70% das mulheres com SOPK apresentam resistência à insulina, um distúrbio metabólico frequentemente associado a esta síndrome. Essa resistência pode agravar os desequilíbrios hormonais e favorecer o aumento de peso.
No entanto, estes medicamentos podem provocar efeitos secundários significativos: náuseas, vómitos, diarreia… sintomas que se tornaram invasivos no dia a dia desta paciente.
Objetivo da 1ª sessão: aliviar a esfera digestiva
No nosso primeiro encontro, decidimos focar a sessão no alívio dos distúrbios digestivos, integrando também um trabalho nas zonas reflexas do sistema reprodutor, com o objetivo de apoiar o organismo de forma global.
Durante a sessão, observei um penso na zona reflexa correspondente ao ovário esquerdo. A cliente estava a tratar uma verruga nessa região do pé. Esse detalhe chamou-me a atenção. Em algumas tradições, a verruga é vista como um sinal de que o corpo está a trabalhar ativamente para combater um desequilíbrio.
Optei por não trabalhar diretamente nessa zona, mas sim atuar “em espelho”, estimulando a mesma zona reflexa no pé direito, onde o desequilíbrio era claramente percetível durante o trabalho reflexológico.
No final da sessão, propus um acompanhamento com mais duas sessões para avaliar a evolução dos sintomas.
Resultados após a 2ª sessão: efeitos concretos e rápidos
Quinze dias depois, a cliente regressou com o rosto mais sereno e um retorno muito positivo:
Desaparecimento dos vómitos e do refluxo ácido
Desaparecimento do quisto no ovário direito, segundo a última ecografia
Redução significativa das dores abdominais
Apenas um sintoma persistente: diarreia
O trabalho reflexológico permitiu um verdadeiro apaziguamento digestivo e hormonal, reforçando a sua motivação para continuar.
Mantivemos as mesmas zonas de trabalho, afinando o protocolo em torno do equilíbrio do sistema nervoso autónomo (simpático/parassimpático) e estimulando fígado e rins, órgãos envolvidos na regulação hormonal e na eliminação.
3ª sessão: regresso ao conforto intestinal
Duas semanas depois, regressou radiante: o trânsito intestinal normalizou dois dias após a segunda sessão e relatava um bem-estar geral evidente.
Mantivemos o mesmo protocolo na terceira sessão, com uma abordagem suave, progressiva e adaptada ao seu ritmo.
Para concluir : um exemple da ligação mente-corpo
Essa experiência amostra como a reflexologia pode ser um apoio valioso em percursos médicos complexos, como o SOPK. Ao ajudar o corpo a reencontrar um equilíbrio digestivo, hormonal e nervoso, a reflexologia complementa o tratamento médico, oferecendo simultaneamente escuta, presença e bem-estar global.
Se é afetada pelo SOPK ou por distúrbios digestivos relacionados com tratamentos médicos, a reflexologia pode ajudá-la a atravessar esta fase com mais suavidade e conforto.
Cuidar de si não é um luxo, é uma necessidade.
Integrar sessões de reflexologia na sua rotina pode ser um passo rumo a um bem-estar duradouro — um convite a recentrar-se, a escutar o corpo e a reencontrar o equilíbrio interior.



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