SOP, perturbações digestivas e reflexologia
- Sandrine Gameiro

- 4 de mar.
- 3 min de leitura
Atualizado: 17 de mai.
O percurso da Elena
Alguns encontros em consulta revelam de forma muito clara a força de um acompanhamento em reflexologia. Foi o caso desta jovem que me procurou devido a perturbações digestivos persistentes: náuseas, inchaço abdominal, refluxo ácido e, por vezes, vómitos. Sintomas incómodos que surgiram pouco tempo após o início de um tratamento médico para SOP (síndrome dos ovários policísticos).

Um diagnóstico recente,
um tratamento com efeitos secundários importantes
Essa cliente sofria de SOP há anos sem o saber. O diagnóstico só foi feito seis meses antes da nossa primeira sessão. Para aliviar os sintomas hormonais e metabólicos, iniciou um tratamento com Metformina e Victoza, dois medicamentos inicialmente utilizados no tratamento da diabetes tipo 2.
Esta opção terapêutica tem uma explicação: cerca de 50 a 70% das mulheres com SOP apresentam também resistência à insulina, uma alteração metabólica frequentemente associada a esta síndrome. Esta resistência pode agravar os desequilíbrios hormonais e favorecer o aumento de peso.
No entanto, estes medicamentos não estão isentos de efeitos secundários: náuseas, vómitos, diarreia… Sintomas que se tornavam cada vez mais invasivos no dia a dia.
Objetivo da 1ª sessão: aliviar a esfera digestiva
No nosso primeiro encontro, decidimos centrar a sessão no alívio das perturbações digestivas, integrando também um trabalho sobre as zonas reflexas do sistema reprodutor, de forma a proporcionar um apoio global ao organismo.
Durante a sessão, observei um penso na zona reflexa do ovário esquerdo, um detalhe que me chamou a atenção. A cliente estava a tratar uma verruga nessa zona. Este detalhe despertou o meu interesse. Em algumas culturas, a verruga é vista como um sinal de que o corpo está a trabalhar ativamente para combater uma doença ou restabelecer um equilíbrio.
Por essa razão, não trabalhei diretamente nessa zona, mas trabalhei em espelho na mesma zona reflexa do pé direito, onde o desequilíbrio era evidente durante o trabalho reflexológico.
No final desta primeira sessão, propus-lhe um acompanhamento com mais duas sessões para avaliar a evolução dos sintomas.
Resultados após a 2ª sessão: efeitos concretos e rápidos
Quinze dias depois, cliente regressa com um rosto mais tranquilo e um feedback muito positivo :
Desaparecimento dos vómitos e do refluxo ácido
Desaparecimento do quisto no ovário direito, segundo a última ecografia
Menos dores abdominais
Apenas uma queixa persistente: a diarreia
O trabalho reflexológico permitiu, assim, um verdadeiro alívio digestivo e hormonal, reforçando a sua motivação para continuar as sessões.
Mantivemos então as mesmas zonas de trabalho, ajustando o protocolo em torno do equilíbrio nervoso (simpático/parassimpático), bem como do fígado e dos rins, envolvidos na regulação hormonal e na eliminação.
3ª sessão: regresso ao conforto intestinal
Duas semanas mais tarde, regressa satisfeita: o trânsito intestinal voltou ao normal dois dias após a 2.ª sessão, e sente um verdadeiro bem-estar geral. Mantivemos o mesmo protocolo nesta 3.ª sessão, num acompanhamento suave e progressivo.
Para concluir : um exemple da ligação mente-corpo
Esta experiência ilustra como a reflexologia pode ser um apoio precioso em percursos médicos complexos, como o da SOP. Ao ajudar o corpo a reencontrar um equilíbrio digestivo, hormonal e nervoso, a reflexologia complementa os tratamentos médicos, proporcionando simultaneamente escuta e bem-estar global.
Se sofre de SOP ou de perturbações digestivas relacionadas com um tratamento médico, a reflexologia pode ajudá-la a atravessar esta fase com mais suavidade e conforto.
Cuidar de si não é um luxo, mas uma necessidade.
Integrar sessões de reflexologia na rotina pode ser um passo em direção a um bem-estar duradouro. É um convite para se recentrar, escutar o corpo e reencontrar o equilíbrio interior.




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